As histórias seguem um padrão comum em todas as suas variações. Sejam roteiros, poemas, romances, pequenos contos, em todos esses casos nós observamos uma determinada forma que “embala” o conteúdo que é escrito.
Um acadêmico irá destrinchar isso de um jeito mais apurado, fazer referências com outros enunciados e com metodologia científica adequada, mas o fato é que mesmo um leigo é capaz de reconhecer os padrões dessas estruturas. Sim, pois isso é algo que está enraizado na nossa cultura de tal forma que, apesar de muitas vezes não conseguirmos verbalizar, é fácil de reconhecer quando uma história é bem contada. Ou quando está chaaaata… Acho que todo mundo entende isso, não é?
Daniel Calvisi tem conceitos muito interessantes sobre a estrutura do roteiro, o que ele chama de “mapas de história”. Em seu livro, “Story Maps: how to write a great screenplay”, ele mostra um exemplo de estrutura – sim, há vários exemplos por aí – fundamentalmente guiado pelo tempo de ação em cada página. O domínio e o uso correto do conceito de beat é algo que Daniel descreve como sendo essencial para que um roteirista seja bem sucedido em um mercado cada vez mais competitivo.
Contudo, vale ressaltar que essas normas são pensadas para o modelo de cinema “comercial”. São definidas através das premissas básicas dos filmes de estúdio, onde o seu roteiro terá que passar por uma série de aprovações.
Aqui vão algumas ótimas dicas:
O início do roteiro
“As primeiras 10 páginas de um roteiro muitas vezes podem dar uma forte indicação de seu potencial de sucesso, e até mesmo pequenos detalhes, como erros de digitação na primeira linha, podem causar um impacto significativo em suas chances.”
“Se um escritor não souber como escrever um ótimo primeiro ato, é improvável que ele melhore mais tarde e tenha um ótimo segundo ou terceiro ato.”
“É importante que um roteiro tenha um incidente incitante entre as páginas oito e dez, bem como o intervalo entre o Ato 1 e o Ato 2 por volta da página 30, para manter a história envolvente e adequadamente estruturada.”
“Os roteiristas devem ter como objetivo fazer com que o público entre na história o mais rapidamente possível, introduzindo o conceito e os principais elementos da história logo no início.”
EStilo de escrita
“Eu sei imediatamente. Isso é um clichê ou essa página é muito densa. Esse diálogo é muito óbvio, então estou observando que, como estou lendo muito rápido, mesmo que esteja lendo rápido, estou percebendo essas coisas.”
“É importante que os roteiristas considerem como o público se sentiria num determinado momento e recriem essa emoção através da sua escolha de palavras, quebras de parágrafo, pontuação e espaço em branco.”
“A escolha do tom e do sentimento é crucial na escrita, uma vez que determina a forma como o público irá vivenciar o roteiro.”
tenha a motivação certa
“Você pode perceber a diferença entre um roteiro que só quer vender e um que quer contar uma história convincente.”
“A motivação é muito importante e sinto que quanto mais roteiros leio, quanto mais livros leio e quanto mais filmes assisto, mais motivadas são as ações em um roteiro”
“O filme é uma mídia visual e você quer ver se seu personagem faz algo ou se ele se depara com algo que inventamos. Queremos ter algo preparado para isso, queremos ter algo que seja motivado, queremos saber, queremos saber por que ou como ele chegou a esse ponto e, em muitos roteiros para iniciantes, é muito aleatório, não é necessariamente motivado.”
Sobre Daniel Calvisi
Daniel P. Calvisi é treinador de escrita, roteirista e ex-analista de histórias de grandes estúdios como Twentieth Century Fox e Miramax Films. Ele é o autor de “Story Maps: How to Write a GREAT Screenplay”, Story Maps: TV Drama, Story Maps: 12 Great Screenplays e Story Maps: The Films of Christopher Nolan.
Ele ministra webinars sobre escrita para cinema e televisão com a The Writers Store e fala em conferências de escrita. Daniel lecionou redação de roteiros em nível universitário, inclusive na New School University, em Nova York. Ele se formou no programa de Cinema e Televisão da Tisch School of the Arts da NYU e foi publicado na revista Script.