Cruella: de vilã a anti-heroína.Uma breve análise da personagem e sua trajetória no cenário cinematográfico.
Desde sua primeira aparição em live action nas telas como a icônica vilã Cruella De Vil na pele da atriz Glenn Close até sua transformação em uma anti-heroína complexa, a personagem conquistou os corações dos espectadores. Neste artigo, vamos analisar a jornada de Cruella no cinema.
Ao longo dos anos, Cruella De Vil se tornou sinônimo de maldade e extravagância desenfreada. No entanto, a mais recente adaptação para o cinema, simplesmente intitulada “Cruella“ (EUA-2021, Direção de Craig Gillespie e roteiro de Dana Fox e Tony McNamara) nos apresenta uma representação mais humana e emocional da personagem, isso porque já faz algum tempo que os escritores decidiram mostrar que por trás de todo vilão existe uma história complexa.
A história
O filme nos leva de volta à Londres dos anos 70, onde acompanhamos a história de Estella (Emma Stone) uma adolescente transgressora, inteligente, confrontadora e rebelde que tenta encontrar seu lugar no mundo. No entanto, o seu desejo de se tornar uma designer de moda enfrenta diversos desafios e assim emerge Cruella.
Com uma narrativa rica em reviravoltas e uma performance magnética de Emma Stone no papel principal, “Cruella” explora as origens obscuras da vilã e as motivações por trás de suas ações. A trama mergulha em tensões familiares, desejos de vingança e na busca pela identidade de Estella/Cruella.
Prepare-se para mergulhar numa personagem cheia de estilo, conflito e revelações surpreendentes. Descubra como Cruella evoluiu de uma figura unidimensional para uma anti-heroína fascinante. Pronto para desvendar as camadas dessa personagem icônica? Então vamos começar!
Apresentação da personagem

A personagem Cruella De Vil foi introduzida ao mundo em 1956 no livro “The Hundred and One Dalmatians” de Dodie Smith. Sua primeira aparição nas telas ocorreu em 1961, na animação clássica da Disney com o mesmo nome. Cruella é retratada como uma mulher extravagante, obcecada por peles de dálmatas e disposta a fazer qualquer coisa para obtê-las.
Sua aparência é marcada por um longo casaco de pele de dálmata, cabelos bicoloridos e um cigarro na mão. Ela é retratada como uma vilã impiedosa, disposta a machucar animais inocentes em nome da moda. Seu nome se tornou sinônimo de crueldade e ganância desenfreada.
O impacto na cultura pop
Cruella De Vil, apesar de sua maldade, conquistou um lugar especial na cultura pop como uma vilã icônica. Sua personalidade extravagante e ousada a tornaram fascinante para os espectadores. Ela é conhecida não apenas por sua maldade, mas também por seu estilo único e presença marcante. Além de influenciar a moda com seu visual ousado e paixão por peles, ela deixou uma marca duradoura na cultura popular, aparecendo em uma variedade de produtos licenciados, de brinquedos a roupas e acessórios.
A evolução da personagem
A evolução de Cruella é constante durante todo o arco da personagem.Este prelúdio aprofunda na apresentação da personagem revelando as motivações e o trauma que a transformou Estella na pessoa que é hoje. Uma abordagem mais humana que explora a complexidade humana e cria ainda mais empatia com a nossa protagonista que enfrenta constantes desafios devido a seu alter ego, Cruella. Essa abordagem humaniza Cruella, permitindo aos espectadores uma identificação mais profunda com suas ações. Ela vive um dilema: fazer a coisa certa ou deixar a “loucura tomar conta de si”.
Além disso, o filme explora a relação entre Cruella e a Baronesa Von Hellman, interpretada por Emma Thompson, uma dinâmica de mentor e aprendiz que desencadeia conflitos cruciais para o desenvolvimento da personagem. Essa abordagem mais profunda adiciona camadas de complexidade à personagem, permitindo que os espectadores se identifiquem e compreendam melhor suas ações.
A motivação
Uma das mudanças mais notáveis em “Cruella” é a transformação da personagem de uma vilã unidimensional em uma anti-heroína complexa. A narrativa do filme revela os eventos que moldaram Estella em Cruella De Vil, levando-nos a questionar se ela é verdadeiramente vilã ou alguém que luta contra circunstâncias adversas. Enquanto busca sua identidade como estilista, Estella enfrenta uma luta interna pela aceitação e para não seguir o mesmo caminho de sua mãe. Sua jornada culmina em uma transformação notável, tornando-a não apenas uma estilista mais talentosa, mas também uma pessoa superior à sua própria progenitora.
A Complexidade da Anti-Heroína
A Baronesa matou a mãe de Estella e tentou assassinar Cruella sem remorso, centrando-se unicamente em seu ego. A filosofia da Baronesa destaca a ausência de equilíbrio. Essa dinâmica nos leva a perceber porque Cruella evolui de vilã para anti-heroína. Ela nos ensina a aprender com nossos erros, abraçar nossa singularidade e aspirar a sermos pessoas melhores. Tanto Cruella quanto a Baronesa compartilham uma dedicação incansável em busca de seus sonhos. A diferença crucial entre elas reside na compreensão dos limites entre paixão e loucura.
Conclusão
Cruella De Vil passou por uma evolução notável desde sua primeira aparição nas telas como uma vilã unidimensional até sua transformação em uma anti-heroína complexa. O filme “Cruella” nos apresenta uma nova perspectiva sobre a personagem, explorando suas origens e motivações de forma mais profunda.
A performance magnética de Emma Stone no papel de Cruella adiciona camadas de complexidade à personagem, tornando-a mais realista e cativante. Ao longo do filme, Cruella questiona suas próprias motivações e ações, levando-nos a questionar se ela realmente é uma vilã ou se está apenas lutando contra as circunstâncias.
A jornada de Cruella De Vil nos ensina que os personagens não são apenas preto e branco, mas sim complexos e multifacetados. Suas motivações podem ser influenciadas por uma série de fatores, como traumas passados, desejos de vingança e busca por identidade. A evolução de Cruella de uma vilã unidimensional para uma anti-heroína complexa é um exemplo convincente dessa complexidade.
Em última análise, a jornada de Cruella De Vil nos mostra que as aparências podem enganar e que nem tudo é o que parece. Os personagens são mais interessantes quando são tridimensionais e têm motivações complexas. Cruella De Vil é um exemplo perfeito disso, e sua jornada nos ensina que até mesmo os vilões podem ter suas razões e suas próprias lutas internas.
O filme “Cruella” ganhou um prêmio na “Hollywood Critics Association” de “Melhor atriz coadjuvante” para Emma Thompson e recebeu três indicações para melhor filme, melhor ator coadjuvante e melhor atriz para Emma Stone.
